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| Eram três
António Torrado
Cristina Malaquias | |
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São três bonecos de barro,
três
jaquetas, três bonés,
três calças
brancas, lavadas,
com risquinha
até aos pés. São três
bonecos de barro,
três bigodes
de
entremez,
três
pencas de pêra parda,
pintadas de
camoês. | |
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| São três
bonecos de barro,
três laços de
azul francês,
colarinhos
cartonados,
mudados de
mês a mês. São três
bonecos de barro
muito graves
todos três.
Usam polainas
de estado
e calçam
quarenta e três. | |
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| São três
bonecos de barro
em bizarra
rigidez.
Com
garbo, diz-se um morgado,
outro conde,
outro marquês. São três
bonecos de barro,
de barro,
digo outra vez,
Na prateleira
aprumados,
mas ocos de
altivez. | |
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| São três
bonecos de barro,
três
jaquetas, três bonés,
Pintados e
repintados
cada um vale
por dez... Pois são três
bonecos de barro,
mas veio o
gato Iniguês
e num salto
desastrado
em cacos de
telha os fez. | |
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