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| Histórias em quadradinhos
António Torrado
Cristina Malaquias | |
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Numa folha de papel quadriculado passa-se cada coisa...
Às vezes,
passam-se contas. É o mais normal. Nem sempre as contas batem certo,
apesar dos quadrados quadradinhos, muito certinhos, terem sido feitos
para contas muito bem contadas, certeiras, certinhas, acertadas. | |
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| Quando a
conta não está certa, risca-se ou apaga-se. A folha quadriculada tudo
consente, mas no fundo, é muito exigente.
Mas há mais:
onde estão contas, podem estar contos...
Às vezes,
numa folha de papel quadriculado, acontecem histórias. São estas as
autênticas, as primeiras histórias em quadradinhos. Como a que vamos contar. | |
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| Numa folha de
papel quadriculado dum caderno escolar, encontraram-se um quadrado,
completamente quadrado, e um triângulo muito triângulo. E muito
impertinente.
Dizia o
triângulo para o quadrado:
- Estás
sempre na mesma. És quadrado, só quadrado e, dês as voltas que deres, ficas
sempre quadrado. | |
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Pff! Que figura geométrica mais sem jeito. Que
monotonia.
O quadrado
calado, muito calado, só ouvia.
Continuava o
triângulo:
- Eu sim, sou
variável. Umas vezes faço-me triângulo
equilátero. Outras,
isósceles. Outras,
escaleno. Sou um triângulo de muitas formas e feitios. Gosto de variar. | |
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| O quadrado
calado, calado ficou. Então o triângulo arrebitado espevitou-o:
- Não dizes
nada? Vê-se que estás
amachucado com a minha
sapiência, com a minha variedade. Não é assim, ó quadrado? | |
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| Então o
quadrado não se conteve mais e ripostou:
- Vai
falando, vai, triângulo
presunçoso, mas olha que iguais a ti já eu tenho dois, cá dentro!
Então o
triângulo ficou tão enfiado que pediu a uma borracha que o apagasse.
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