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| As duas panelas António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Eram duas panelas. Uma de ferro e a outra de barro. Estavam as duas à venda, entre outras panelas e tachos, num mercado, à beira da estrada.
- Quanto custa aquela? - perguntou um homem, apontando a panela de ferro.
O vendedor disse o preço. Era carote. | |
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| - E aquela? - perguntou o homem, apontando a de barro.
O vendedor disse o preço. Era baratucho.
- Mas se levar as duas, faço-lhe um bom desconto - acrescentou o vendedor.
O homem aceitou. Valia a pena. | |
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| Afinal, não valeu. Metidas no mesmo saco, aconteceu que, com os solavancos da viagem, a panela de ferro rachou a panela de barro. Rachou-a e partiu-a.
Quando o homem chegou a casa e tirou as compras que tinha feito, viu, desolado, a panela de barro reduzida a cacos. | |
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| - Não devia ter posto as duas juntas - reconsiderou o homem.
Perdeu uma panela, mas ganhou uma lição. Do mal o menos...
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