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| Os dois feiticeiros António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Eram dois feiticeiros. Detestavam-se.
Uma chamava-se Xarabim e o outro chamava-se Zipalam. Ambos fabricavam feitiços e usavam palavras mágicas, daquelas de pôr a arder uma árvore, sem quê nem porquê, só por efeito de um gesto e um bichanar de lábios que acordam labaredas.
Eram os dois muito competentes nas suas magias. | |
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| Um dia, tinha de acontecer, um dia, defrontaram-se. Duelo terrível.
Fugiram , à sua volta, pessoas e bichos. Só ficaram os mágicos, um diante do outro.
Xarabim ameaçou:
- Vou transformar-te em sapo. Belg... Zelg... Velg...
À última palavra dita e o Zipalam passou a ser um sapo que metia medo. | |
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| Mas o sapo Zipalam falava. Deitou uma enorme língua na direcção do adversário e silvou:
- Vou transformar-te em ratazana. Vong... Bong... Tong...
À última palavra e o Xarabim passou a ser uma ratazana de muito mau aspecto.
Mas a ratazana Xarabim também falava. | |
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| Ergueu o focinho, na direcção do inimigo, e bufou:
- Pois eu a ti vou transformar-te num insignificante rato cinzento. Trag... Trig... Trug...
Assim foi. Ficou um ratito, diante de uma ratazana. E o combate podia continuar, sabe-se lá até quando?
Podia continuar, não fosse, nesse momento ter, aparecido a cadela Nina, caçadora de tudo o que corre, rasteja e mexe. | |
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| Com total desrespeito pelas artes mágicas, a cadela Nina deu, logo ali, cabo do rato e da ratazana. Para sempre. | |
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