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| A galinha avarenta António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Era uma vez uma galinha avarenta. Punha ovos de ouro, mas não os dava a ninguém. Guardava-os para ela. Escondia-os.
Os donos da galinha queixavam-se:
- Esta galinha não paga o que come. Se assim continua, sem pôr ovos, ainda acaba em canja...
Mal eles sabiam do tesouro que a galinha já tinha arrecadado no mato, num sítio que só ela conhecia... | |
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| "As outras galinhas que ponham ovos vulgares, de gema e clara. Eu não sou dessas", sentenciava a galinha, muito de si para si.
Os donos ameaçavam-na, de faca na mão:
- Se até amanhã não pões um ovo que se veja, estás condenada.
Ela percebeu a ameaça e pôs um ovo que se visse. Um ovo de prata. Os de ouro eram só para ela. | |
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| - Que magnífica galinha! - exclamaram os donos, quando viram a prenda.
Foi uma vez sem exemplo.
"Dar os meus ovos de ouro a estes matutos não dou", pensava a galinha.
E continuou, secretamente, a pôr ovos de ouro só para ela. Os donos aborreceram-se: | |
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| - Afinal o raio da galinha não presta para nada. Pôs um ovinho de prata, faz que tempos, e nunca mais... Temos de dar cabo dela.
A galinha ouviu-os e pôs um ovo. De cobre. Achava que aquela gente nem os de prata merecia. Não gostava nada de repartir esta galinha. Era só mais a mim, mais a mim... Uma somítica. | |
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