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| A rainha da floresta António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Era um lenhador. Passava o dia na floresta, a cortar árvores. Os filhos traziam-lhe o almoço que ele comia à pressa, para voltar, depois de uma breve sesta, ao seu trabalho. Era muito cansativa a vida dos lenhadores.
Uma tarde, ia ele desferir a primeira machada numa grande árvore, quando ouviu conversar dentro do tronco. Estranhou. Espreitou. | |
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| O tronco era oco e, lá dentro, dois velhos de longas barbas, um diante do outro, muito solenes jogavam às damas.
- Não nos interrompas - disseram os velhos.
O lenhador aguardou que tempos, entretido, ele também, a assistir ao desenrolar da partida, que nunca mais se decidia. | |
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| A certa altura reparou que as barbas dos dois velhos tinham crescido imenso, enquanto eles jogavam. O lenhador, a medo, chamou-lhes a atenção para este estranho facto. Os velhos riram-se:
- Passou-se mais tempo do que tu imaginas.
De facto, a árvore estava maior e a floresta mais cerrada. Que teria acontecido? | |
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| Sobressaltado, o lenhador voltou à aldeia, mas já não encontrou ninguém conhecido. A casa, a mulher e os filhos tinham desaparecido e ninguém se lembrava deles.
O lenhador correu outra vez para a floresta e pediu aos dois velhos jogadores de damas que o acordassem daquele sonho mau. Aquilo não podia estar a acontecer-lhe. | |
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