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| Podia ser Pior António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Era uma vez um viajante que se perdeu no deserto. Não sei se já andaram no deserto, mas se não andaram, imaginem.
É fácil uma pessoa perder-se no deserto. Não há sinais de trânsito nem setas a apontar. Não há ninguém a quem perguntar o caminho. Nem sequer há caminho.
Só areia, areia, areia, a perder a vista. Uma maçada. | |
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| Pois este viajante, que se tinha perdido no deserto, desesperado, pôs-se a gritar:
- Acudam-me, acudam-me, senão eu morro de sede, de fome, de calor...
Um escorpião do deserto condoeu-se da aflição do viajante e disse-lhe:
- Foge senão eu pico-te.
Os escorpiões são venenosos, não sei se sabem. | |
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| O homem, ainda mais assustado, correu, à frente do escorpião.
- Segue adiante ou eu mordo-te - gritava-lhe o escorpião de tenazes ameaçadoras, sempre atrás dele. - Agora, inflecte para a esquerda... Agora corta à direita...
O desesperado viajante, a puxar pelas últimas forças, corria a bom correr guiado pelas ordens do escorpião, que não lhe largava a sombra. | |
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