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| Ninguém é sempre perfeito António Torrado Cristina Malaquias | |
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| No tempo em que ainda não havia luz eléctrica, mas pouco faltava, quem quisesse trabalhar ou ler depois do Sol posto alumiava-se com candeeiros de petróleo. Os mais pobres, sem dinheiro para o petróleo, usavam velas de sebo.
Era o caso do poeta da nossa história. | |
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| Estava ele, à noite, a escrever uns versos, iluminado apenas pela luz do luar e pela chama incerta de uma velinha a finar-se, quando uma nuvem interceptou a luz da Lua.
- Ai! - lamentou-se o poeta. - Não tarda que a vela acabe. Como vou eu conseguir terminar o poema? | |
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| Abriu a janela e gritou:
- Vento, se és meu amigo, afasta a nuvem, para que o luar volte a iluminar-me.
O vento terá ouvido o pedido e rodopiou numa súbita ventania. Tanta foi que soprou a vela do poeta. Ficou o pobre às escuras.
- Vento, tu não percebeste o que te pedi - irritou-se o poeta. - És um desastrado. | |
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