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| Uma Carica e Tanto António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Vou contar-vos, hoje, a história desta carica. Não é uma carica qualquer. Desde que nascera que sabia que estava reservada para altos destinos. Descendia da lata, pois descendia, mas à lata não voltaria.
Amoldada, como milhares das suas irmãs, à boca de uma garrafa, foi à vida com a garrafa a que a juntaram.
Um dia, uma pressão - tche! | |
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| E rua, chão... Chão com a carica que já não serve para nada.
Quem disse que já não serve para nada? Agora é que ela ia começar a viver. Que aventura!
Primeiro, foi moeda de troca. "Dou-te uma carica destas. Dá-me duas das outras."
Andou por várias colecções, conheceu muitos bolsos, muitas mãos... | |
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| Sentiu-se moeda de peso, das fortes, das que não se desvalorizam, libra, dobrão de ouro ou mais ainda.
Depois, conheceu o entusiasmo das corridas, na beira dos passeios. Ganhou provas, fez-se notar. Bastava um piparote e lá ia ela, a carica motorizada, a caminho da vitória. | |
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| Mas o melhor da festa, o seu dia de glória, foi quando medalhou o peito de um "general" de brincar por casa. Nesse dia, sentiu-se a estrela mais brilhante da constelação das caricas.
Se lhe perguntassem, então:
- Carica, quanto vales?
Ela responderia:
- Tanto ou mais do que peso. | |
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